quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Ásia Central - Obtenção de Vistos

Aqui ficam algumas dicas para a obtenção de vistos para os países da Ásia Central (Afeganistão, Cazaquistão, Irão, Turquemenistão, Tajiquistão, Usbequistão).

Querendo visitar estes países, aconselha-se começar a tratar dos vistos com 5 ou 6 meses de antecedência.

Esta informação foi obtida a partir das pesquisas realizadas. Pode ser alterada a qualquer momento. Para informações atualizadas consultar, sempre, as embaixadas.


PROCEDIMENTOS PARA A OBTENÇÃO DE VISTO AFEGÃO

 Resumo:
   A primeira embaixada com quem contatei (email), foi a de Madrid. Responderam, informando-me que os assuntos de vistos para portugueses, são tratados com a de Paris.
   Tenho uma cunhada que vive na cidade luz. Numa das suas visitas a Portugal, levou o meu passaporte e ficou de entregar os documentos requeridos, pessoalmente, na embaixada. Antes disso, passou pelo "La Banque Postale" e depositou a módica quantia de 70 Euros, corresponde ao visto de turismo. No dia em que se deslocou à embaixada, disseram-lhe que não podiam aceitar a documentação uma vez que teriam de me fazer uma entrevista.
   Ao saber dessa informação, que não consta das cedidas no site da embaixada, telefonei-lhes e "comme je ne parle pas français couramment" sugeri que falássemos inglês, ao que me responderam favoravelmente.
   Expliquei-lhes que teria de me deslocar a Paris, propositadamente, para fazer a entrevista, tendo de faltar ao trabalho e ter despesas com voos. Perguntei-lhes se não haveria outra forma de substituir a entrevista. Responderam-me que poderia enviar uma carta do meu patrão explicando os motivos da minha visita ao país e a sua duração.
   Depois de ter a carta assinada, fiz um scan e enviei à minha cunhada. Ela imprimiu o documento e deslocou-se novamente à embaixada com toda a documentação. Desta vez, aceitaram os documentos e disseram-lhe que o visto estaria pronto em 4 dias úteis.
   Como já tinha uma viagem a Paris agendada para o início de junho, desloquei-me à embaixada e levantei o passaporte com o respetivo visto.
   De salientar que todo o staff com quem contatei foi muito simpático e prestável, procurando ajudar na resolução dos problemas.
  Emitiram o visto com 2 meses de antecedência.
      
Visto de Turismo AFEGÃO
  

PROCEDIMENTOS PARA A OBTENÇÃO DE VISTO CAZAQUE

Resumo:
   Entrei em contato (via email) com a embaixada em Madrid para saber se era possível obter o visto no mesmo dia em que me deslocaria lá. A minha ideia era enviar toda a documentação por correio e no dia em que fosse a Madrid levantar o visto, levaria o passaporte e pagaria o visto. Disseram-me que teria de enviar todos os documentos, incluindo o passaporte e o comprovativo do depósito das taxas consulares aos balcões do Banco Santander Central Hispano.
   Isto levantava um grande problema, uma vez que teria de me deslocar a Espanha para aos balcões do Banco fazer o depósito. Por acaso, de férias de Páscoa, encontrava-me perto da fronteira e a cerca de 60 Km da mesma, em Cortegana, fiz o depósito. Desse modo, fiquei em meu poder com o comprovativo de como tinha feito o pagamento das taxas consulares.
  Enviei (através de CTT Expresso) de seguida toda a documentação solicitada. Passadas três semanas, fui a Madrid e levantei o passaporte com o respetivo visto.
   Emitiram o visto cerca de três meses antes da entrada no país.

Visto de Turismo CAZAQUE
 

  PROCEDIMENTOS PARA A OBTENÇÃO DE VISTO IRANIANO
Resumo:
   Entrei em contato (telefónico) com a embaixada (responderam-me em português) e foi informado que para além dos documentos solicitados (informação no site da embaixada) teria de juntar um seguro de acidentes pessoais em viagem e fotocópia do voo de regresso e das reserva dos hotéis nas primeiras 3 noites (no meu caso tratou-se de Mashhad e Yazd).
   No dia em que me desloquei à embaixada para entregar a documentação, solicitei urgência na emissão do visto uma vez que estava a cerca de um mês do início da viagem e precisava deste para obter o visto para o Turquemenistão.
   Informaram-me que era possível, mediante uma taxa adicional de 25 euros e que estaria pronto no dia seguinte.
  Gostaria de salientar que o staff da embaixada foi muito simpático e sensível à urgência da emissão do visto.
   Um dia depois, dirigi-me à embaixada e levantei o passaporte com o respetivo visto.
   Emitiram o visto cerca de 2 meses antes da entrada no Irão.
 
Visto de Turismo IRANIANO
 
  
PROCEDIMENTOS PARA A OBTENÇÃO DE VISTO TURQUEMENO
 
 Resumo:
   Este acabou por ser o visto mais simples de obter.
   Entrei em contato (email) com a embaixada para confirmar os documentos requeridos. Foram prontos na resposta e sempre muito simpáticos no esclarecimento de qualquer dúvida. Todos os contatos que estabeleci com eles, foi por email.
   Reuni toda a documentação solicitada e enviei (carta registada com aviso de receção) para a embaixada em Londres.
   Passados 10 dias úteis, recebi no meu email, uma LOI (Letter Of Inviatation) que não é mais do que uma autorização com um código para, na fronteira, obter o visto de trânsito. Todos este processo foi grátis, com exceção da carta registada com aviso de receção.
   Emitiram a LOI (documento que tive de apresentar na fronteira), cerca de 1 mês e meio antes da entrada no país.
 
LOI (Letter Of Inviatation) TURQUEMENA

Visto Obtido na Fronteira.
   No dia em que atravessei a fronteira Shavat (Usbequistão) /
 Dashoguz (Turquemenistão), entreguei a LOI que me tinham enviado, paguei USD 50 por um visto de trânsito de 3 dias e paguei USD 12, pela taxa de entrada no país.
  Tudo muito simples e rápido (a obtenção do visto não demorou mais de 20 minutos). Os guardas fronteiriços, foram mito simpáticos e prestáveis.

Visto de Trânsito TURQUEMENO


PROCEDIMENTOS PARA A OBTENÇÃO DE VISTO TAJIQUE
 
Resumo:
   Entrei em contato (email) com a embaixada para saber se era possível enviar toda a documentação exceto o passaporte (porque era a minha cunhada que o tinha e que o levaria à embaixada do Afeganistão) e uma vez que tinha viagem a Paris agendada para o início de junho, se havia a possibilidade de obter o visto no dia em visitaria a embaixada.
  A resposta foi muito pronta e favorável. Assim enviei (carta registada com aviso de receção) todos os documentos solicitados, exceto o passaporte, duas semanas antes de viajar para Paris, de maneira a dar tempo de receberem os documentos e emitirem o visto.
   Quando visitei Paris no início de junho, passei primeiro (dia 1, segunda-feira) na embaixada do Afeganistão para levantar o passaporte e no dia seguinte (o consulado só funciona às terças e quintas-feiras), 2 de junho, terça-feira, foi à do Tajiquistão.
   Cheguei de manhã, deixei o passaporte e pediram-me para passar da parte da tarde, para levantar o visto.
   Foram muito simpáticos e prestáveis em todos os contatos, quer por email quer pessoalmente.
   Emitiram o visto cerca de 2 meses antes de entrar no país.
 
Visto de Turismo TAJIQUE


PROCEDIMENTOS PARA A OBTENÇÃO DE VISTO USBEQUE
 

Resumo:
   Este foi o visto que mais trabalho deu. Sobretudo porque tive de obter uma autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros Usbeque, sob a forma de LOI (Letter Of Invitation) antes de me deslocar à embaixada em Madrid.
  Contatei (sempre por email) a STANTOURS agência de viagens, muito fidedigna, que tratou da LOI. Enviei-lhes toda a documentação solicitada, incluindo o pagamento de 80 Euros. Foi um pouco mais caro porque precisei de uma LOI para a obtenção do visto com dupla entrada, uma vez que pretendia atravessar o sul do Usbequistão em direção a Mazar-e Sharif, no Afeganistão e voltar a entra no Usbequistão através da fronteira com o Afeganistão.
   Passados 15 dias úteis enviaram-me o documento abaixo (LOI), por email. Imprimi a LOI e levei-a à embaixada.
   Emitiram a LOI, cerca de 3 meses e meio antes da entrada no Usbequistão.
 
LOI (Letter Of Inviatation) USBEQUE

Visto Obtido na Embaixada em Madrid.
   No dia em que me desloquei a Madrid para levantar o visto do Cazaquistão, dirigi-me igualmente, à embaixada usbeque, situada no centro da capital espanhola. Antes, passei pelo balcão do Banco Popular, perto da embaixada e paguei a taxa consular de 80 Euros, correspondente ao visto de turismo de dupla entrada. Entreguei a LOI e o comprovativo bancário do pagamento das taxas consular. Esperei 15 minutos e tinha o visto na mão.
   Emitiram o visto cerca de três meses antes da entrada no país.

Visto de Turismo USBEQUE
 
SEQUÊNCIA DE OBTENÇÃO DOS VISTOS
  • LOI Usbeque, 3 meses e meio antes da entrada no país, custou 80 Euros.
  • Visto Cazaque, 3 meses antes da entrada no país, custou 35 Euros + 7 Euros CTT Expresso.
  • Visto Usbeque, 3 meses antes da entrada no país, custou 80 Euros.
  • Visto Afegão, 2 meses antes da entrada no país, custou 70 Euros.
  • Visto Tajique, 2 meses antes da entrada no país, custou 45 Euros + 7 Euros para a carta registada com aviso de receção.
  • Visto Iraniano, 2 meses antes da entrada no país, custou 105 Euros (inclui taxa consular, 50 Euros; taxa consular de emissão urgente, 25 Euros e seguro de acidentes pessoais em viagem, 30 Euros).
  • LOI Turquemena, 1 mês e meio antes da entrada no país, gratuita. Apenas gastei cerca de 7 Euros para a carta registada com aviso de receção.
  • Visto Turquemeno, na fronteira, custou 46 Euros + 11 Euros de taxa de entrada no país.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Vienciana - dia 28.07.2013.
 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Banguecoque - Dia 1

Banguecoque, dia 27.07.2013.

     Chego cansado (depois de 9h30 de voo, Istambul (IST) - Banguecoque (BKK)) mas feliz por pisar pela primeira vez solo asiático.
     Apanho a linha azul do "City Line Train" até á estação de Phaya Thai. Pago 45 Bath, cerca de 1,10 euros pelo bilhete e embarco no comboio. Logo na estação do aeroporto o comboio fica apinhado de gente. Ao longo do percurso que demora cerca de 30 minutos até à estação de Phaya Thai, a carruagem onde me encontro vai vazando e enchendo à medida que passa pelas seis estações intermédias.
     Assim que saio da carruagem sinto um forte bafo de ar quente e húmido caraterístico dos países tropicais. Sinto-me tão radiante que decido por as minhas capacidades físicas à prova deslocando-me a pé até à estação de Hua Lamphong. São 16:30 (mais 6 horas do que em Portugal) e tenho comboio para Vienciana, capital do Laos às 20:00. Por isso, caminho devagar, sem pressa de espécie alguma, apreciando as rotinas urbanas, de um dia de trabalho, dos tailandeses.
     Para este tour decidi viajar leve. A minha pequena mochila de 30 litros (agradeço desde já, ao Samuel Santos - http://www.dobrarfronteiras.com/mochila-viagem-levar-numa-mala-pequena/ e ao João Leitão http://www.joaoleitao.com/viagens/2008/06/14/mochila-viagem/ pela ajuda disponibilizada nos seus sites de viagens) pesa seis quilos, peso ideal para quem gosta de caminhar. O percurso entre as duas estações demorou cerca de uma hora. Apesar do esforço, não me sinto cansado. Aliás, sinto-me recuperado da viagem de avião que tinha acabado de fazer horas antes. 
     Na estação compro o bilhete e aguardo pelo comboio noturno para Vienciana.



Estação Ferroviária de Hua Lamphong - Banguecoque - Tailândia
Interior da Estação Ferroviária de Hua Lamphong - Banguecoque - Tailândia

 
     Às 18:00, enquanto comia à espera do comboio, sou surpreendido pelo apito dos polícias ordenando a todos que se encontravam sentados que se levantassem e ouvissem em silêncio o hino nacional tailandês.
     Às 20:00 dirijo-me para a gare e entro no comboio, procurando a minha cama que é feita por um funcionário da companhia ferroviária tailandesa. Aguardo refastelado pelo sinal de partida. O comboio parte para terras laocianas com uma hora de atraso. 


Comboio para Vienciana
Interior do comboio "Express Train" para Vienciana

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Viagem 2010 - Alguns locais da Jordânia

De Damasco a Amã distam cerca de 250 Km. As estradas são razoavelmente boas, apesar de se tratar de países subdesenvolvidos. Contudo, nunca esperei fazer uma viagem de 6 horas entre as duas capitais. Quando comprei o bilhete disseram-me que seria, no máximo, quatro horas de viajem. Em Damasco passo quase uma hora para nos deslocarmos entre as duas principais estações rodoviárias, por entre um trânsito terrivelmente desorganizado. Nessa estação entram, sobretudo, mulheres acompanhadas pelos seus filhos. No países árabes, cabe às mulheres a função exclusiva, de cuidarem dos filhos, à semelhança do que ainda acontece com muitas famílias portuguesas. Nas fronteiras (dos dois países), mais duas horas e meia por entre processos imensamente burocráticos. À saída da Síria, junto-me a uma fila para pagar a taxa de saída. De seguida desloco-me para outro guiché para carimbar a saída no passaporte. Mais uns metros à frente, em território jordano, junto-me a uma fila para obter o visto para de seguida entrar noutra fila para carimbar a entrada no passaporte. Esta fronteira é diariamente cruzada por sírios, jordanos, árabes de países vizinhos e muitos viajantes estrangeiros, tornando-a numa das mais movimentadas do Médio Oriente.

Visito Jerash no dia que chego à Jordânia. Sempre tive a curiosidade de visitar as ruínas desta que foi no tempo dos romanos, a cidade de Gerasa. Está um calor infernal (o termómetro, marca 42 graus), apesar de começar a explorá-la, por volta da 16:30. As ruínas estão muito bem preservadas e o facto de a visitar muito perto do por do sol dá um colorido especial a este passeio. Impressiona-me a grandiosidade do local, apesar dos historiadores estimarem que 90% da antiga cidade, está ainda por desenterrar. Gosto muito do hipódromo, local que recebia corridas de quadrigas observadas por cerca de 15000 espectadores, mais do que a assistência média da maioria dos estádios do campeonato português de futebol. Uma das mais distintas imagens de Jerash é a praça oval (forum) com cerca de 90 metros de comprimento e 80 de largura. A grandiosidade desta praça mostra-nos que a cidade era muito populosa, rondando os 150000 habitantes, de acordo com os historiadores. Outra imagem que guardarei na memória é a estrada de 800 metros, ladeada por inúmeras colunas minuciosamente ornamentadas, que ligava a praça Oval à entrada norte, tornando-a na principal artéria da cidade.










No segundo dia na Jordânia faço uma excursão por alguns locais próximos de Amã. Começo o dia por Madaba, uma povoação 50 Km a sul da capital, conhecida pelo esplêndido mapa mosaico descoberto, no solo, da igreja ortodoxa de São Jorge e datado do ano de 560 depois de Cristo. Claramente visível no mapa aparece a igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, o Mar Morto, o rio Jordão, Jericó, Nablus, Hebron, o rio Nilo e o sul do Líbano. Sigo para o Monte Nebo, onde se diz que Moisés, depois de ter avistado a terra prometida, faleceu com a idade de 120 anos, e aqui foi enterrado. No local foi erguida uma igreja em sua homenagem que à data da minha visita estava a sofrer obras de recuperação, Contornado a igreja pode, em dias sem neblina, avistar-se Jericó e Jerusalém. Como visito o local perto do meio-dia não vejo mais do que uma espessa mancha nebulosa. A paragem seguinte é o local onde supostamente Jesus Cristo foi baptizado por João Batista, nas margens do rio Jordão. Este sítio, conhecido entre os árabes como Al-Maghatas e autenticado por João Paulo II, é um local de grande peregrinação cristã. Sou conduzido por um guia que fala um inglês indecifrável e que não deixa entender o que fosse das suas palavras, confirma-me Ariene, uma londrina que não entende patavina. O local está preenchido por algumas igrejas mas é o sítio onde Jesus Cristo foi baptizada que suscita maior interesse entre os visitantes. Termino a visita no Mar Morto, ou seja, no ponto mais baixo da Terra (419 metros abaixo do nível médio das águas do mar) e que devido à sua alta salinidade nenhum ser vivo, excepto alguns de tamanho microscópio, consegue lá viver. Gosto da experiência de flutuar, de querer mergulhar e vir de imediato à tona, mas as pequenas gotículas de água que discretamente entram boca adentro dão um mau sabor que não se quer repetir. A quantidade de sal é tão grande que se diz que é 6 vezes mais salgada que as do mares normais.


Visito finalmente Petra, um local que faz parte do meu imaginário. Esta espectacular cidade de cor avermelhada foi construída no século terceiro depois de Cristo, pelos Nabateus que esculpiram nas rochas circundantes palácios, templos, túmulos, armazéns e estábulos. Daqui os Nabateus, controlaram as rotas comerciais de especiarias, seda e escravos entre Damasco e a península arábica, as quais estavam sujeitas a taxas para prosseguirem caminho. No entanto, os arqueologistas acreditam que devido a um grande terramoto, ocorrido em 555 depois de Cristo, os habitantes foram forçados a abandonar a cidade, tendo-se fixado em Bosra no sul da agora Síria e local também por mim visitado. Caminho por Petra em mais um dia de grande calor (no verão, nestas paragens, estão entre 35 e 45 graus), que não me impossibilita de visitar todos os sítios que tinha programado, num passeio de 7 horas e meia. Destaco o famoso Siq, a entrada secreta de Petra de 1,2 Km e formada pelo movimento de placas tectónicas. O serpentear pelo estreito caminho do Siq leva-nos a um dos monumentos mais bonitos de Petra, o Al-Khazneh que funcionava sobretudo como túmulo. Outro dos sítios mais procurados em Petra pelos imensos turistas, das mais variadas, nacionalidades, que não se importam de “desidratar”, são os Túmulos Reais. Estes monumentos encontram-se entre os mais belos esculpidos da cidade e antes da sua erosão rivalizavam com o Al-Khazneh, em beleza e grandiosidade. Mas para onde toda a gente se dirige é para o Mosteiro Ad-Deir. Como está muito calor decido fazer a subida, muito devagar, associando o movimento lento da subida dos degraus, esculpidos na rocha, com o apreciar da paisagem envolvente. Passada uma hora lá chego ao mosteiro que devido ao aproximar do por do sol, emana uma luz avermelhada inigualável. Passo então à fase seguinte, observar a paisagem do topo de duas falésias que proporcionam vistas imemoráveis. Uma delas fica mesmo ao lado do mosteiro e aproveito para retemperar energias para o alcançar do cume seguinte. A vista é deslumbrante, a leve brisa e o silêncio envolvente, dão-me razões mais do que suficientes para continuar na incessante procura de lugares imaginários. Procuro pela entrada de acesso ao outro cume já muito perto da entrada. “Custa-me” mais uma vez um esforço físico de quase uma hora, que vai sendo compensado em conversas com comerciantes beduínos e vista maravilhosas. Chegado ao cume fico a apreciar o por do sol e a ver como ele, num passo de magia, pinta dum avermelhado bordeaux, a cidade de Petra.










Reservo o meu último dia na Jordânia para experimentar o deserto. Apanho o autocarro de Petra para Wadi Rum. Os passageiros, só turistas, acabariam por ser os meus colegas de viagem nessa primeira experiência no deserto para todos. Desse grupo para além, de moi meme, fazem parte 6 sul-coreanos, 2 japoneses, um casal de franceses e outro do Quebeque e um alemão. O passeio de jeep começa com uma paragem na nascente de água mineral de Laurence. É incrível apercebermo-nos, que mesmo debaixo de quase 45 graus, a água brota da montanha muito fresca. Percorremos de seguida um pequeno canyon formado pelas águas da chuva - num processo de vários milhares de anos, que possui a curiosidade de possuir gravuras, esculpidas na rocha, de caravanas de camelos nas suas rotas comerciais. Este deserto não é aquele que imaginamos com extensas massas de areia. Pelo contrário, trata-se de uma zona muito rochosa salpicado aqui e ali por algumas dunas. Paramos num espectacular arco natural (Burdah) esculpido na rocha que proporciona uma vista maravilhosa e a todos momentos de enorme satisfação. Ao fim de um passeio pelo deserto de Wadi Rum chegamos ao acampamento onde vamos pernoitar e experimentar comida típica beduína. Depois de termos assistido a um maravilhoso por do sol, somos chamados para o jantar, uma deliciosa comida beduína muito à base de especiarias. O céu está completamente estrelado, e junto-me a dois casais espanhóis que entretanto se juntaram ao nosso grupo na hora de jantar, para aprender um pouco de astronomia. Um deles, astrónomo, lá nos explica o que vemos. Explica-nos como encontrar Marte, a Estrela Polar e a Via Láctea. As tendas estão quentes e por essa razão decido deitar-me ao relento e apreciar o céu. Os restantes seguem-me e dispomo-nos uns perto dos outros mais parecendo um jogo de dominó. Como estou cansado deixo-me dormir rápido e uma vez que tinha observado o por do sol também queria vislumbrar, o nascer. E é isso que faço. Sou o primeiro a levantar-me, às 05:30 e desloco-me de imediato para o topo de um pequeno rochedo onde está montado o acampamento. Ainda está de noite e fico cerca de uma hora, calmamente no meio dum silencio ensurdecedor à espera das imagens espectaculares que o nascer do sol me vai proporcionando.

domingo, 8 de agosto de 2010

Viagem 2010 - Algumas cidades da Síria

A minha aventura síria começa, na verdade, em Beirute, na estação rodoviária de Charles Helou. Levanto-me cedo para apanhar o primeiro autocarro para Damasco. Entro na zona das ligações internacionais e sou abordado por inúmeras pessoas perguntando-me para onde vou. Procuro a bilheteira dos autocarros para Damasco e está tudo em árabe. Não entendo nada do está escrito. Lá me indicam o sítio. Peço o bilhete e eles respondem-me se tenho o visto para a Síria. Digo-lhes que não! Respondem-me “no visa, go minibus”. Tento dizer-lhes que sou português, que não existe embaixada da Síria em Portugal e por isso, não haverá problema de o obter na fronteira. Ao meu lado está o Juan António, espanhol de Alicante que está a fazer um curso de língua árabe em Damasco e aproveitou o fim de semana para visitar Beirute. Como não tinha solicitado o visto para a Síria, com múltiplas entradas, estava na mesma situação que eu, tinha de o obter na fronteira. Apesar de muita insistência, não nos vendem os bilhetes, utilizando o argumento que vai demorar muito a tratar do visto e os restantes passageiros não poderiam ficar à nossa espera. Simultaneamente, empurram-nos para o minibus, não nos restando outra alternativa. O problemas é que nos fazem pagar um pouco mais do que no autocarro (+ 4 €). Não havendo outra opção lá entramos no minibus. O condutor movimenta-se com ar demasiado stressado, procurando angariar pessoas (+ 9), para se por a andar. Esperamos meia hora e o minibus lá fica cheio. Durante o trajeto o condutor mistura a atenção da condução com a contagem do dinheiro dos passageiros (português, espanhol, nigerianos, libaneses e sírios). Chegamos à fronteira e tudo é muito rápido. Demoro apenas 15 minutos para tratar do visto e receber o carimbo de entrada. O argumento utilizado era, obviamente, inválido e foi uma maneira indelicada de extorquir dinheiro a estrangeiros. Passadas três horas e meia, chego ao centro de Damasco.


Damasco é uma cidade completamente diferente de Beirute. Esta sim, um burgo à boa maneira árabe com contadores de histórias, souqs e casas antigas com pátios maravilhosamente decorados. Dimashq em árabe ou Ash-Sham para os damacenses, é uma das mais antigas cidades do mundo, continuamente habitadas. Escavações realizadas na parte velha da cidade, sugerem que é habitada desde o terceiro milénio antes de Cristo. Por isso, lanço-me, sem mais demoras para o coração da cidade – a cidade velha, para sentir o pulsar das suas estreitas artérias cuja arquitetura se mantém intocável há milhares de anos. Durante este tempo a cidade foi, naturalmente, cobiçada pelos principais impérios. Os últimos, foram o romano e o omíada, dividindo a cidade velha nos bairros cristão e muçulmano. Desde a conquista de Damasco pelos muçulmanos Omíadas, as duas religiões têm convivido sem problemas de espécie alguma. Contudo, o traço forte na arquitetura da cidade é o muçulmano com ruas estreitas e os edifícios a quase se tocarem nos pisos de cima.


Vagueio sem rumo definido, pelos souqs Medhat Pasha e al-Hamidia, entre peregrinos iranianos, beduínos nómadas e sírios. Deixo-me envolver calmamente pelos sons de música e conversas árabes, pelas diferentes tonalidades de lindas carpetes e tapetes a fazer lembrar as mil e uma noites, pelos os cheiros intensos dos perfumes e especiarias e pelos trabalhos artísticos de artesãos de madeira e ferro. Fico maravilhado a observar atentamente a forma hábil dos árabes negociarem. As correntes da emoção que sinto ao pisar chão milenar, fazem-me desaguar na mesquita Omíada. Esta é a principal estrutura religiosa de toda a Síria e uma das mais sagradas de todo o mundo muçulmano. No entanto, antes de ser mesquita, foi uma igreja, desempenhando as duas funções, por algum tempo. Antes de ser igreja, foi o Templo de Jupiter. Antes disto, foi o Templo de Zeus e antes ainda, foi o templo de Ishtar. A mesquita é realmente muito bonita, mas o que me chama mais a atenção é o túmulo de São João Batista (profeta Iehia, para os muçulmanos) e o túmulo de Hussein, filho de Ali e neto do profeta Maomé, que atraí muitos xiitas (maioritariamente iranianos) peregrinos entoando cânticos, e realizando movimentos de devoção a lembrar os sacrifícios corporais realizados pelos cristãos, andando de joelhos para pagar uma promessa. Visito igualmente a fascinante, mesquita xiita, Saiída Ruqaya, filha de Hussein e bisneta do profeta. Trata-se duma mesquita recente, com aproximadamente 30 anos, mas é à semelhança do santuário de Hussein, o principal local de peregrinação xiita em Damasco.


Um dos locais que queria visitar na Síria era Bosra, no sul do país. Bosra foi a capital do império nabateu durante o primeiro século antes de Cristo, depois de terem abandonado Petra e foi a capital do império romano da província da Arábia a partir do ano 106 depois de Cristo. Sou atraído pela possibilidade de visitar um dos teatros romanos mais bem preservados, existentes em todo o mundo. Construído no início do segundo século, albergava cerca de 9000 pessoas (6000 sentadas e 300 de pé). Olho atentamente as bancadas e apercebo-me da forma similar como os estádios de hoje são construídos. Passado tanto tempo, mantém-se ainda, uma estrutura semelhante na construção deste tipo de espaços públicos. Passeio-me igualmente pelos restos da velha cidade romana que cobria cerca de 1 Km quadrado. Caminho pela velha estrada romana e visito os restos do que foram os banhos públicos, fonte de água natural, mercado, hipódromo, palácio e ainda aquilo que se acredita ter sido um santuário a céu aberto – Kalibe. Aproximo-me do arco nabateu, estrutura que marcava o limite da cidade romana e tratava-se, provavelmente, da porta de entrada duma residência nabantina.


Terceiro e último dia na Síria, escolho dois locais próximos de Damasco para visitar – Maaloula e Sednaia. Levanto-me, como habitualmente, cedo e dirijo-me para a estação de minibus al-Zablatania. O Minibus só arranca quando está completamente cheio. Espero meia hora e embarcam comigo, nesta aventura cristã em terras muçulmanas, duas espanholas de Barcelona, Ana e Elisabete e um casal de gregos de seu nome Catarina e Nicolas. Todos queremos fazer o mesmo trajeto ou seja, Maaloula e Sednaia. Chegamos a Maaloula, terra onde ainda hoje se fala Aramaico, a língua falada por Jesus Cristo e dirigimo-nos para o convento ortodoxo de Santa Tecla, construído nas encostas duma falésia. Tecla foi discípula de São Paulo e uma das primeiras mártires cristãs. Saímos e percorremos o caminho de Santa Tecla, uma passagem muito estreita por entre a falésia fazendo lembrar de forma muito modesta, a mundialmente famosa entrada em Petra. O caminho leva-nos à igreja de São Sérgio, construída no ano de 325 e uma das mais antigas do mundo. Nesta igreja conhecemos uma rapariga autóctone, muito simpática - Rita, que se disponibiliza a fazer uma oração em Aramaico. Esta língua é uma das mais antigas do mundo continuamente falada, tendo atingido o seu auge por volta de 500 antes de Cristo. O Aramaico é a língua que está na base do Sírio, do Árabe e do Hebreu. Combinamos com um senhor o preço de táxi para nos levar a Sednaia. Na verdade não se tratava dum táxi, mas sim, do carro do próprio e serviu para ganhar um dinheirinho extra. Chegamos ao convento ortodoxo de nossa de Sednaia, construído no alto dum enorme rochedo a fazer lembrar uma fortaleza. Trata-se dum dos mais importante lugares de peregrinação cristã, no Médio Oriente, devido a um retrato de Nossa Senhora, magnificamente pintado por São Lucas. Pelo facto de se atribuir a este ícone todo o tipo de milagres, chegou a ser considerado, durante a época das cruzadas, como o segundo santuário cristão mais importante a seguir a Jerusalém.


Viagem 2010 - Beirute

Em Beirute, sinto-me um poliglota. Comunico nas três línguas em que me desenrasco. Divido o quarto do Hotel Al-Shahbaa, com um espanhol, um casal de franceses e um austríaco. Ao contrário do que pensava, há afinal alguns turistas ocidentais por estas paragens, sobretudo francófonos e anglo-saxónicos. Não são tantos como em Istambul, mas muitos mais virão quando esta zona deixar de estar associada a guerras e as problemas religiosos. Pelo que me apercebi, as pessoas são simpáticas, procuram ajudar os turistas, que como eu, não se entendem com o alfabeto árabe, as religiões convivem de forma harmoniosa, misturando-se mesquitas e igrejas na paisagem arquitectónica da cidade. Caminho pelas ruas sem receios de alguém me poder fazer mal, como por vezes acontece nas ruas de Lisboa ou de outras grandes cidades da Europa. Sinto-me bem, num processo de adaptação à língua, costumes, religião e ao tempo quente que se faz sentir.
Beirute é uma cidade que não possui muitos locais de interesse turístico. É sobretudo uma cidade virada para o mundo dos negócios. Beirute já foi considerada como a Suíça do Médio Oriente, no que diz respeito aos negócios bancários, estando talvez, por isso, a tirar daí dividendos, dizia-me o meu colega de quarto espanhol, César Alvarez. Passeio-me pelas principais ruas e cruzo-me com potentes carros com matrículas de variadíssimos países desta região, passo junto a enormes edifícios de escritórios de firmas nacionais e internacionais, deparo-me com anúncios de apartamentos luxuosos com áreas que vão dos 220 aos 550 metros quadrados. Questiono-me onde estará a crise? Procuro envolver-me nos Souqs da cidade, quando me espanto ao ver que, em Beirute, estes espaços nada têm a ver com os tradicionais mercados árabes mas sim com os nosso bem conhecidos, centros comerciais, com lojas como a Zara, Mango ou Maximo Dutti.


Os poucos locais de interesse turístico resumem-se ao centro da cidade. Saio do hotel e poucos minutos de caminhada depois, deparo-me com uma enorme mesquita (Maomé al-Amim), de aspecto recente, parecendo mesmo uma construção de plástico, mas simultaneamente muito bonita e imponente. Desde que visitei a primeira mesquita em Sarajevo, fiquei com um fascínio especial por estes lugares de culto. Coloco a parte de baixo das calças e descalço-me para poder entrar sem ferir os costumes muçulmanos, sento-me e fico a apreciar a sua simplicidade O chão está todo coberto por uma linda carpete, não existem bancos, como nas igrejas e o ambiente sereno ajuda-me a retemperar energias. Observo atentamente alguns muçulmanos que ali se dirigiram para rezar. Viram-se para o Mihrab, que não é mais do que um género de câmara que nas mesquitas indicam a direcção para Meca. Mesmo ao lado encontra-se o Mimbar que na mesquita corresponde à função do púlpito nas igrejas.


Sigo para o coração da cidade, a Praça da Estrela, onde se situa o edifício parlamentar. As ruas que a envolvem estão todas cortadas ao trânsito e fortemente policiadas devido a recentes ameaças de terrorismo e assassinatos políticos. Ao fim da tarde, as ruas enchem-se de transeuntes misturando-se homens e mulheres vestidos com trajes tradicionais com outros que se aperaltam com roupas de marcas que estamos acostumados a ver. As esplanadas estão cheias e aprecio os clientes a fumar Shishah entre conversas de âmbito mais formal e outras de teor mais animado. Desperta-me a atenção uma mesquita com uma arquitectura diferente. Trata-se da mesquita de al-Omari. Na verdade, tratava-se da igreja de São João Batista, construída no século XII, pelos cruzados e convertida pelos Mameluques numa, mesquita em 1291. Uma vez mais entro para apreciar o seu interior e fico sem pressa a escutar um jovem a recitar versos do Alcorão numa melodia que cativa os mais desatentos.


Não parto de Beirute sem caminhar junto ao mediterrâneo. A cidade possui um longo passeio marítimo, onde as pessoas andam descontraidamente, praticam exercício físico (jogging), pescam ou simplesmente relaxam na praia. Na verdade, não existem praias de areia e as poucas que existem são artificias. São praias privadas e cobertas, junto ao passeio, por uma lona que impede que se vislumbre o seu interior. Está muito calor, apesar de correr uma leve brisa. Mas como tenho todo o tempo do mundo, percorro o quase 4 Km de extensão, na esperança de alcançar os “Pombos”, rochas naturais a beira-mar plantadas com a forma de uma arco e que fazem as delícias dos turistas ocidentais mas também árabes. Encontro um pequeno mercado e pergunto por pão (khubz), pensando que encontraria algo parecido ao que estamos acostumados. O senhor entrega-me o pão tradicional desta região de configuração circular a fazer lembrar as bases das pizas.



quarta-feira, 28 de julho de 2010

Viagem 2010 - Istambul

Escolho Istambul como a primeira paragem do meu Tour ao Médio Oriente. Esta cidade milenar, sempre foi cobiçada pelos principais impérios, dada a sua excelente localização geográfica, um ponto de paragem, obrigatório das principais rotas comerciais entre a Ásia e a Europa. Já se chamou Bizâncio na época de domínio grego, Constantinopla quando, em 330, o imperador romano, Constantino, mudou a capital do império para Este e por fim Istambul, quando, em 1453, o imperador Mehmet conquistou a cidade para os Otomanos. A cidade é enorme e os seus 16 milhões de habitantes, envolvem-se num ritmo frenético, preenchendo ruas, avenidas e bazares por meio de encontrões inesperados. Os turcos são maioritariamente muçulmanos e é uma delícia deixar-nos envolver pela forma simples de regatear um preço e pelos sons do Almuadam, chamando os crentes
para as orações do dia.
 
Os turistas acotovelam-se para visitar os principais pontos de interesse. Lá consigo entrar na Santa Sofia. Mandada edificar pelo imperador Justiniano, foi o principal local de fé cristã até à chegada dos Otomanos que a converteram numa Mesquita. É realmente imponente. Sentimo-nos uma formiguinha no interior de colossais colunas que suportam cúpulas minuciosamente ornamentadas. Sigo para a Mesquita Azul que não fica atrás da grandiosidade da Santa Sofia. Era essa, aliás, a intenção do Sultão Ahmet I, ordenando que fosse construído um santuário que rivalizasse em tamanho e beleza com a Santa Sofia. A ver pelos inúmeros crentes que entram para orar, após o chamamento e turistas que vão para apreciá-la - sem no entanto, entenderem muito bem os fundamentos do Islão, as intenções do Sultão foram satisfatoriamente alcançadas.



Este era o antigo centro desportivo e social de Bizâncio e Constantinopla. Aqui celebravam-se inúmeros festivais e o mais apreciado era a corrida de quadrigas, muito populares durante o domínio romano. Preservada até hoje está a coluna de onde se assinalavam as voltas percorridas bem como o local de inversão de sentido de marcha. Os locais de maior interesse turístico encontram-se, basicamente, todos no mesmo quarteirão, a poucos minutos de distância. Por isso chego rapidamente a Basílica Cisterna. Esta extraordinária estrutura subterrânea, datada da época do imperador Justiniano, armazena mais de 80000 metros cúbicos de água enviada para o palácio dos Sultões mesmo quando, em tempos idos, a cidade se encontrava cercada por tropas inimigas.


Decido não entrar no palácio dos Sultões. Pedem-se um preço exorbitante, para um mochileiro que está em início de viagem e que terá outros lugares mais interessantes onde investir o dinheiro. Por isso, decido visitar a Beyoglu a norte do Sultanahmet. Ponho-me a andar, sabendo de antemão que não seria tarefa fácil. Como tenho todo o tempo do mundo, ando devagar, apreciando o rebuliço da cidade e das suas gentes. Atravesso a ponte Galata e aprecio no horizonte as linhas das majestosas mesquitas, Yeni, Suleymaniye e Rustem Pasa. Interrogo-me, para servirão tantas mesquitas e ainda por cima muito próximas umas das outras? Lembro-me de repente que com uma população maioritariamente muçulmana, as existentes, são capazes de não satifazer a procura. Continuo a caminhada em direcção à Praça Taksim passando pela imensamente movimentada avenida pedestre Istikilal Cadessi. Este é a principal artéria comercial da Istambul hodierna, prenchida igualmente por embaixadas, igreijas e elegantes casas residênciais.


Por fim deixo-me envolver pelos mercados, em tudo similares aos árabes que encontramos em Marrocos ou na Tunísia, por exemplo. Começo pelo mercado de especiarias, também conhecido pelo mercado egípcio, devido ao facto de inicialmente se cobrarem taxas sobre os produtos que vinham do Egipto. No seu auge, era a última paragem das caravanas de camelos que faziam a rota da seda entre a China e a Pérsia. Passo de seguida, ao Grande Bazar. À semelhança do de Marraquexe uma bússola ou um aparelho de GPS em nada ajudaria um transeunte que naturalmente se deixa perder por entre, luzes, cheiros e sons inebriantes. Este mercado, referida em alguma bibliografia, como o Souq mais famoso do mundo, alberga cerca de 4000 lojas com os mais variadíssimos artigos que se pode imaginar. Termino este percurso andando pela principal rua do mercado de Arasta conhecido pelas suas lojas de tapetes e belas peças de cerâmica. Esta histórica zona foi construída, inicialmente como fazendo parte do complexo arquitectónico da Mesquita Azul.